A história das palavras

Há algumas palavras que aparecem de forma recorrente em nossos textos e são insubstituíveis para os assuntos que costumamos tratar.

André Trigueiro

No caso deste texto, o leitor atento deverá observar que há algumas palavras que aparecem de forma recorrente em nossos comentários, e que são insubstituíveis para os assuntos que costumamos tratar.
Uma dessas palavras é ecologia. Criada a partir da combinação de duas expressões em grego – oikos (casa) e logos (estudo) – ecologia significa “estudo da casa”. Até meados do século 19, os reinos da natureza eram estudados separadamente.

Animais e vegetais eram alvo de pesquisas isoladas. Foi o naturalista alemão Ernst Haeckel quem sugeriu em 1866 o uso da palavra ecologia para designar um novo olhar sobre a natureza, em que todos os seres vivos fossem observados e estudados não apenas nas suas particularidades, mas também nas relações que estabelecem entre si e com o meio em que vivem.

Ser ecologista, portanto, significa olhar a natureza e perceber que tudo está interligado, que todos os seres vivos têm um papel definido e importante no concerto do Universo.

Um olhar ecológico sobre uma árvore, por exemplo, nos obriga a perceber vários fenômenos que ocorrem simultaneamente. Uma árvore adulta oferece abrigo para pássaros, morcegos e insetos.

Ao se alimentarem dos frutos das árvores, os animais engolem as sementes que depois são  espalhadas pela região juntamente com as fezes, um autêntico adubo natural. As folhas mortas que caem no chão se transformam em matéria orgânica que enriquece o solo com nutrientes.

No processo de crescimento, a árvore retira carbono da atmosfera – ótima notícia em tempos de aquecimento global causado justamente pelo acúmulo de carbono na atmosfera por causa da queima de petróleo, gás e carvão.

As árvores “suam” vapor d’água, determinando variações importantes de temperatura e umidade nas áreas próximas. Uma sibipiruna adulta, por exemplo, transpira no verão cerca de 400 litros de água por dia, gerando um efeito refrescante equivalente a quatro aparelhos de ar condicionado, funcionando 24 horas por dia. Nas cidades, uma área coberta de árvores é menos vulnerável às enchentes, porque retém parte expressiva da água da chuva, como se fosse esponja.

Agrupadas lado a lado, como se fossem uma muralha verde, as árvores funcionam também como protetor acústico, reduzindo o volume de ruídos que vem da rua.

E diminuem a poluição do ar, funcionando como filtros de fumaça, uma vez que evitam o nosso contato direto com os gases das fábricas, automóveis e caminhões.

Tomando a árvore como exemplo, exercitamos o olhar ecológico proposto por Haeckel e percebemos várias situações que revelam um dos segredos mais preciosos da vida: tudo no universo encontra-se interligado, somos interdependentes nesta teia da vida apesar de toda a nossa miopia ambiental.

A palavra ecologia encerra, portanto, uma ideia muito mais abrangente – e bonita – do que o sentido vulgar que costumamos empregá-la. Que sejamos conscientes desse nosso lado ecológico para melhor compreendermos o nosso papel no teatro da vida.

http://www.revistapaisatentos.com.br/palmyra-tagliari/artigo/a-historia-das-palavras-129

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